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1. Considere as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. Pode-se identificar, no último quadrinho, a fala de um nordestino, exemplo de variedade linguística regional.
II. É apresentada uma visão estereotipada de uma fala que suprime, quase sempre, as sílabas finais das palavras.
III. A fala no último quadrinho retoma o exemplo dado no primeiro quadrinho, tornando-se mais inteligível.
IV. O produtor da tira usou seu conhecimento das variedades linguísticas existentes entre as regiões do país para produzir efeitos de humor

2. A tira exemplifica o uso de variedades linguísticas. Sobre variedades e registros de linguagem, assinale a afirmativa incorreta.

Leia o texto, observe os termos destacados e responda à questão.

Partilho com a imensa maioria dos meus compatriotas o mau hábito de deixar para amanhã o que podemos fazer hoje, em que nos viciamos ainda catraios (pagando com pingas nas cuecas o pecado de deixar para a última a ida à casa de banho) e depois transportamos pela vida fora, estudando só nas vésperas dos exames e fazendo noitadas para cumprir os prazos.

Disponível em: <https://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=2023195 opiniao=Jorge%20Fiel>. Acesso em: out. 2011.

Vocabulário
Catraios: criança
Pingas: pingos
Casa de banho: banheiro

3. Com base na leitura do excerto apresentado, inferimos tratar-se de uma variante linguística que denota, sobretudo nos termos sublinhados e na sintaxe

UFG-GO
Leia o texto e responda à questão.

Ninguém aí do poder em Brasília manja de marxismo e semiologia. Fala-se na necessidade de eliminar a herança feagaceana (que, aliás, não é maldita, é sinistra), mas não da ruptura linguística com essa herança, ou seja, o PT reproduz a mesma linguagem feia e inestética do PSDB.

“Custo Brasil” é de matar!

A “flexibilização laboral” designa desemprego. Carteira de trabalho é luxo. Se a polícia der uma blitz e pedir carteira de trabalho, 40 por cento da população vai em cana.

A linguagem revela a ideologia e governa os homens. Prova é que nunca até hoje existiu político mudo. Ao contrário, político é falastrão, fala qualquer coisa, fala pelos cotovelos. Não é senão por isso que o enigmático ministro José Dirceu prestigia no Paraná o comediante Ratinho, cujo gogó midiático agrada aos ouvidos da plebe boçalizada que não frequentou os Cieps.

VASCONCELLOS, Gilberto F. O Richelieu do Ratinho e a herança linguística tucana. Caros amigos. São Paulo: Casa Amarela, n. 61, jul. 2003.

4. Considerando a variedade linguística do texto, tem-se que

Nhola dos Anjos e a cheia do Corumbá

— Fío, fais um zoio de boi lá fora pra nois.

O menino saiu do rancho com um baixeiro na cabeça, e no terreiro, debaixo da chuva miúda e continuada, enfincou o calcanhar na lama, rodou sobre ele o pé, riscando com o dedão uma circunferência no chão mole – outra e mais outra. Três círculos entrelaçados, cujos centros formavam um triângulo equilátero.

Isto era simpatia para fazer estiar. E o menino voltou:
— Pronto, vó.

TELLES, Gilberto Mendonça (Org.). Os melhores contos de Bernardo Élis. São Paulo: Global, 2001.

5. Quanto às modalidades de uso da língua, pode-se observar, no trecho apresentado

Enem
Leia o fragmento de texto de Rachel de Queiroz e responda à questão.

Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao mercado, apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral dos nordestinos, onipresentes, mas para conferir a pronúncia de cada um; os paulistas pensam que todo nordestino fala igual; contudo as variações são mais numerosas que as notas de uma escala musical. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí têm no falar de seus nativos muito mais variantes do que se imagina. E a gente se goza uns dos outros, imita o vizinho, e todo mundo ri, porque parece impossível que um praiano de beira-mar não chegue sequer perto de um sertanejo de Quixeramobim. O pessoal do Cariri, então, até se orgulha do falar deles. Têm uns tês doces, quase um the; já nós, ásperos sertanejos, fazemos um duro au ou eu de todos os terminais em al ou el – carnavau, Raqueu... Já os paraibanos trocam o l pelo r. José Américo só me chamava, afetuosamente, de Raquer.

O Estado de S.Paulo. Acesso em: 9 maio 1998.

6. Rachel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de variação linguística que se percebe no falar de pessoas de diferentes regiões. As características regionais exploradas no texto manifestam-se

“Os brasileiros somos assim". Este é, segundo João Candido Portinari, a mensagem da obra de seu pai, o pintor Candido Portinari, ao povo brasileiro. Segundo ele, o recado nunca chegou de fato ao destinatário planejado, já que 95% das obras do paulista estão em coleções privadas.

PONTES, Trajano. Portinari ganha portal reformulado na internet. Folha de S. Paulo, São Paulo, fev. 2013. Disponível em: <>. Acesso em: 3 fev. 2015. (Fragmento).

7. Em “Os brasileiros somos assim”, a ocorrência de sujeito de terceira pessoa do plural e verbo na primeira pessoa do plural tem a finalidade de

Prezada senhorita,

Tenho a honra de comunicar a V. S. que resolvi, de acordo com o que foi conversado com seu ilustre progenitor, o tabelião juramentado Francisco Guedes, estabelecido à Rua da Praia, número 632, dar por encerrados nossos entendimentos de noivado. Como passei a ser o contabilista-chefe dos Armazéns Penalva, conceituada firma desta praça, não me restará, em face dos novos e pesados encargos, tempo útil para os deveres conjugais.

Outrossim, participo que vou continuar trabalhando no varejo da mancebia, como vinha fazendo desde que me formei em contabilidade em 17 de maio de 1932, em solenidade presidida pelo Exmo. Sr. Presidente do Estado e outras autoridades civis e militares, bem assim como representantes da Associação dos Varejistas e da Sociedade Cultural e Recreativa José de Alencar.

Sem mais, creia-me de V. S. patrício e admirador,
Sabugosa de Castro

CARVALHO, J. C. Amor de contabilista. In: Porque Lulu Bergatim não atravessou o Rubicon. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971.

8. A exploração da variação linguística é um elemento que pode provocar situações cômicas. Nesse texto, o tom de humor decorre da incompatibilidade entre

Terceirização para todos. Bom para quem?

Tramita na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 4.330-C/2004, [...] cujo texto, em seu derradeiro substitutivo, "dispõe sobre os contratos de terceirização e as relações de trabalho dele decorrentes". A respeito dele, têm dito os convertidos e os mais incautos que sua aprovação trará benefícios à população brasileira, garantindo mais empregos, afastando a instabilidade decorrente das imprevisíveis decisões judiciais e assegurando, nas palavras do relator, "avanços importantes para a proteção dos milhões de trabalhadores terceirizados do Brasil, que hoje não dispõem de nenhuma legislação protetora dos seus direitos" [...]. Saiba o leitor que trabalhadores terceirizados têm, sim, uma estrutura de proteção a seus direitos sociais mínimos, não por lei, mas pela jurisprudência consolidada do Tribunal Superior do Trabalho (TST). [...]. O PL nº 4.330-C, em seu artigo 3º, substitui o critério baseado na distinção entre atividades-fim e atividades-meio, por outro, importado da Europa (e sob severas críticas por lá), que se baseia na ideia de "especialização" da atividade. Noutras palavras, o empresário poderá terceirizar qualquer atividade, inclusive aquelas essenciais ao seu objeto social, desde que o faça por meio de uma "empresa especializada, que presta serviços determinados e específicos, relacionados à parcela de qualquer atividade da contratante". [...] sobre esse novo "paradigma", o Brasil não tem qualquer jurisprudência acumulada. Tudo poderá vir. A insegurança jurídica triplicará. Dizem também que haverá avanços na proteção aos trabalhadores. Ledo engano. Esse modelo de terceirização ampla e irrestrita, em qualquer modalidade de atividade, fere de morte [...] a isonomia, porque admite que, em uma mesma linha de produção, haja trabalhadores desempenhando idênticas funções, mas recebendo diferentes salários. Permite burlar a garantia constitucional da irredutibilidade de salários, na medida em que um trabalhador possa ser demitido da empresa tomadora, sendo recontratado para as mesmas funções, por intermédio da prestadora, mas com salário menor. Por fim, caro leitor, se não se sente pessoalmente atingido por nada do que foi dito aqui, poderia até me indagar: o que me interessa nesta discussão? Sacrificar-se-ão os direitos alheios, não os seus. Você também estará enganado. A vingar o PL nº 4.330, daqui a alguns anos, ao necessitar de serviços de um hospital, você já não saberá se o médico que o atende, ou opera, foi selecionado e contratado pela instituição nosocomial de sua escolha, ou se é um terceirizado, admitido porque, na terceirização, o "preço" dos serviços cai surpreendentemente. Ao adentrar em um avião, já não terá qualquer garantia de que o piloto ou copiloto foi selecionado, contratado e treinado pela companhia aérea da sua preferência, ou se é alguém fornecido, a baixo custo, por uma empresa prestadora de "serviços técnicos especializados" de pilotagem de aeronaves. Que tal? Pense-se com espírito de solidariedade, pense-se com o próprio umbigo [...].

FELICIANO, Guilherme Guimarães. Terceirização para todos. Bom para quem? Publicado em 15 de abril de 2015. Disponível em . Acesso em 20/abr./2015. (Adaptado)

No trecho “você já não saberá se o médico que o atende, ou opera, foi selecionado e contratado pela instituição nosocomial de sua escolha, ou se é um terceirizado, admitido porque, na terceirização, o "preço" dos serviços cai surpreendentemente”, o termo em destaque pode ser considerado um indício da escolha do autor em relação à variação linguística empregada no texto.

9. Em relação ao uso desse termo no texto em questão, analise as afirmativas abaixo.
I. É palavra representativa do português arcaico e, por isso, o uso está inadequado, visto que se trata de um texto escrito recentemente.
II. É indício do uso da variação padrão da língua portuguesa.
III. Trata-se de termo técnico da área jurídica; portanto, o uso está inadequado, uma vez que se trata de texto veiculado pela internet.
IV. É um exemplo de emprego de variação linguística histórica.
V. É um exemplo de emprego de variação linguística situacional.
Está CORRETO o que se afirma em

UTFPR
Leia o trecho de uma crônica de Carlos Drummond de Andrade e responda à questão.

Antigamente

Antigamente as moças chamavam-se “mademoiselles” e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhe pé de alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. [...]

Os mais idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomavam cautela de não apanhar o sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, chupando balas de alteia. Ou sonhavam em andar de aeroplano. Estes, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas e até em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’água.

10. Sobre o excerto, assinale a alternativa correta.