Quem acompanha as notícias pela televisão costuma prestar atenção nas manchetes para entender rápido o que está acontecendo. No entanto, de vez em quando, pequenos detalhes gramaticais acabam passando despercebidos pela revisão da redação.

Foi o que aconteceu na faixa de texto exibida em um jornal local de uma emissora de TV do Rio Grande do Sul bem na faixa do meio-dia.


Onde se lê: "Homem de 72 anos chegou a ser socorrido mas não resistiu". Apesar de a mensagem ser perfeitamente compreensível, faltou uma pontuação essencial segundo a norma-padrão da língua portuguesa.  

Qual é o erro?

A palavra "mas" é uma conjunção adversativa, utilizada para ligar duas orações e introduzir uma ideia de oposição, contraste ou quebra de expectativa.

Pela regra gramatical, sempre que a conjunção "mas" (assim como "porém", "contudo", "todavia", "entretanto") une duas orações, deve ser precedida por vírgula.

No texto em questão, temos duas ações (orações com verbos distintos):
"Homem de 72 anos chegou a ser socorrido" e "não resistiu".

Como a segunda oração traz uma ideia contrária ao desfecho esperado após o socorro, a vírgula antes do "mas" é obrigatória para separar as orações e dar a pausa correta na leitura.  

Como deveria ser escrito?

A forma correta, ajustada de acordo com as regras de pontuação, é:
"Homem de 72 anos chegou a ser socorrido, mas não resistiu"
  
Por que isso acontece em geradores de caracteres (GCs)?

Nos telejornais, a digitação das tarjas de notícia (conhecidas na televisão como GC ou gerador de caracteres) costuma ser feita em tempo real ou sob muita pressão de tempo. Por ser um formato dinâmico, omissões de vírgulas em frases longas são deslizes comuns, mas vale a pena ficar atento para manter a escrita impecável em qualquer contexto.